Os alunos do 3º semestre do curso de Jornalismo do Centro Universitário INTA (UNINTA) receberam no último dia 23 de abril, para uma entrevista, o radialista e psicólogo Airton Sousa. A entrevista faz parte de uma série com três convidados, dentro da proposta da disciplina lecionada pelo professor Augustiano Xavier.

Airton Sousa começou a sua carreira radiofônica na cidade de Camocim, na extinta Interativa FM, onde conviveu com alguns nomes como Marcelo Barros, que segue carreira na Bahia e Gleydson Carvalho, que teve sua trajetória brutalmente interrompida. No relato feito aos estudantes, Airton se emocionou ao falar de Gleydson, ao considerá-lo como seu padrinho na comunicação.

Tamanho êxito na cidade litorânea o alçou para novos ares. Desta vez, em Sobral, onde foi gerente e locutor das emissoras de rede SomZoom Sat 91,3 e Plus FM 105,1 e hoje, comanda o Manhã 95, programa diário exibido de segunda à sexta-feira e considerado como um dos líderes em audiência na Coqueiros FM 95,3.

JORNALISMO UNINTA: Como começou a carreira na comunicação e por que essa paixão?

AIRTON SOUSA: Camocim foi o destaque quando eu cheguei naquela cidade, numa gincana escolar, onde eu era o narrador da peça. O Gleydson Carvalho, um dos grandes comunicadores do Ceará, estava nessa gincana. Quando eu estava narrando à peça, logo após,ele chegou a mim e fez o convite para trabalhar no rádio. Para mim, foi uma surpresa e um “chute”, porque eu era tímido pra caramba. Naquela época, ele me fez o convite e eu quase dou um não para ele pela questão da timidez, mas ao mesmo tempo, uma energia dizia “você não vai parar por aí não, vai lá” e foi aí que começou a minha história no rádio. Tive muitas quedas, mas foi aí que descobri que a comunicação tinha tudo a ver comigo mesmo, porque já tive vários momentos que pude dizer basta e a psicologia lá no lugar dela e eu não tinha sequer noção disso. Fui começando a trabalhar essa questão da formação, foi quando a Faculdade Integrada da Grande Fortaleza fez uma parceria com o rádio, faço parte da primeira turma de jornalismo com nível superior do estado.

JORNALISMO UNINTA: Qual a importância da relação com o ouvinte?

AIRTON SOUSA: Essa relação é o combustível, mesmo com algumas mudanças, o meu ouvinte sempre me acompanhou, é ele quem divulga meu trabalho, é o meu ouvinte que vai ao meu patrocinador comprar a partir daquilo que estou vendendo. Eu sou apaixonado pela comunicação e sou apaixonado pelo rádio, em especial e meu ouvinte é a base. Meu ouvinte é meu combustível e eu trabalho todos os dias minha relação com eles, e é uma relação recíproca.

JORNALISMO UNINTA: Como é conciliar as duas profissões de radialista e psicólogo?

AIRTON SOUSA: É comum o cliente perguntar se eu sou radialista “você é o do rádio, né?”. No começo, eu achei que isso iria interferir bastante, mas como eu disse, hoje consigo ver a linha tênue e dá para você levar de cada pessoa, de cada organismo, esse organismo, mente e corpo consegue sim lidar, mas não é fácil. Tenho receio que às vezes um cliente meu possa interpretar uma fala minha no rádio e dizer “pô, esse cara não é um cara tão sério para eu conseguir levar para ele o meu sofrimento, os meus problemas”, mas sabe aquela coisa que dá para fazer quando se tem responsabilidade com aquilo que você faz, com aquilo que você pratica. Se eu percebo que é um ouvinte, eu indico para outro profissional, por questões da psicologia, não podemos ter vínculo, uma questão do Código de Ética da Psicologia.

JORNALISMO UNINTA: Um momento marcante no ato da atuação.

AIRTON SOUSA: Momento que fiquei bastante emocionado, foi uma promoção que fizemos na rádio SomZoom Sat chamada “Papai Noel da SomZoom” e era a parte que eu pagava mais mico, pois me vestia de Papai Noel e ia entregar o prêmio da referida promoção e eu lembro que a gente sorteou uma família no interior de Groaíras. Eu fui e chegando lá eu não aguentei porque a família vivia em uma situação bem precária e eu lembro que nessa família, havia um filho tetraplégico e quando eu cheguei, ela disse que ele não conseguia levantar ou abrir os braços e quando eu cheguei, ele abriu os braços para mim e aí eu o abracei. Choramos juntos e eu sempre guardei isso, foi uma das coisas que mais me emocionou. Outro momento foi quando minha mãe entrou no ar ao vivo no dia do meu aniversário.

JORNALISMO UNINTA: Como enxerga o papel da profissão de psicólogo em poder ajudar as pessoas que pensam em cometer suicídio e a forma como o jornalismo consegue ser duro em dar a notícia? Como ele trata essa questão tão delicada?

AIRTON SOUSA: O suicídio, psicologicamente falando, é multifatorial.É claro que temos que ter noção de como essa mídia vai chegar, é sempre importante batermos nessa tecla, entender o contexto de como esse conteúdo pode impactar em uma sociedade. Nós podemos trazer um conteúdo sobre suicídio, mas cuidando da forma como vai chegar. Hoje como psicólogo e no rádio, eu consigo ter a liberdade de trabalhar melhor o suicídio.Eu cuido primeiramente em não trazer o fator, por exemplo,matou-se do que, “foi enforcamento, foi tiro”e nós sabemos que não precisa disso. A gente pode está trazendo um texto bem rapidinho, mostrando que isso é um fator que precisa ser repensado. Eu prefiro cuidar de um pensador suicida na clínica, do que levar, por exemplo, um fato jornalístico sobre suicídio, porque tenho receio de como chega.

JORNALISMO UNINTA: Qual o principal desafio dentro do rádio?

AIRTON SOUSA: Minha base de rádio é o entretenimento, tem lá as suas pitadinhas de jornalismo, mas eu não sou o radialista jornalista, sou o radialista do entretenimento, das variedades… O desafio mesmo foi conseguir lidar com essa figura do jornalista e sendo cobrado, porque eu trabalhava na SomZoom como representante jornalístico na região, já tinha dito para mim que não iria seguir e o meu chefe chegou para mim e disse “cara, tá no teu pacote de contratação você ser o representante da região”, onde eu tinha que captar notícia, então acredito que um dos maiores desafios foi esse.

JORNALISMO UNINTA: Qual a visão dos dois lados, como Psicólogo e Jornalista sobre o sensacionalismo nas redes sociais de tratar o suicídio?

AIRTON SOUSA: O suicídio é fator de incentivo, por exemplo, você fala que morreu alguém de enforcamento, outros podem se matar a partir do enforcamento, isso pode acontecer, só não podemos generalizar. Nós como psicólogos, quando somos convidados a dar uma entrevista no rádio, percebemos as perguntas que os locutores ou jornalistas fazem. O interesse maior deles é “como foi que se matou?”, “foi com faca, foi com arma”, foi com isso ou aquilo, a maioria tem uma fixação no fato único e a psicologia explica que o suicídio é multifatorial.

Disciplina: Gêneros e Técnicas Jornalísticas
Alunos: Thales Menezes, Fernando Henrique, Thiago Rodrigues, Michele Lima, Antonio Carlas Veras e Thiago Marques
Professor: Augustiano Xavier