Antes de ser JC Braga, José Antônio Castro Braga era apenas um jovem com um sonho na cabeça e uma câmera nas mãos. Atualmente, fotógrafo e cinegrafista no UNINTA, JC é quem assina as imagens utilizadas em várias plataformas da instituição, além de ser o técnico responsável técnico pelos estúdios de rádio e TV. JC Braga reflete em seu trabalho de qualidade os anos de experiência e conhecimento que traz consigo.

Na entrevista abaixo, JC relembra seus primeiros contatos com a câmera, as pessoas que o ajudaram e ensinaram, momentos marcantes de sua história na profissão de fotojornalista e o como é se reconhecer como um profissional em sua área.

ER – De onde você é, JC?

JC BRAGA – Eu nasci num distrito do Cariré, em um local chamado Jucá. Morei nesse distrito do dia em que nasci até os meus 14 anos.

ER – Como surgiu essa paixão pelo que você faz hoje como profissional?

JC BRAGA – Existia um fotógrafo, muito conhecido pela minha região porque era o único que fazia o que fazia. Ele era conhecido como Biscoito e andava numa bicicleta Gulliver, com os acessórios amarrados na garupa. E uma vez ele parou na casa dos meus avós e meu primo aproveitou para tirar as fotos para os documentos. E o Biscoito começou a montar uns panos pretos com pregos na parede. Eu não sabia o que ele estava fazendo, mas ele entrou dentro de um pano preto e começou a acenar para o rapaz na frente da câmera para acionar o disparador, na época conhecido como “lambe-lambe”. Após esse processo, ele tirou uma peça, pediu uma vasilha d’água, pegou uns utensílios na bicicleta e começou o processo de revelação. Eu achei aquilo incrível. O fato de uma hora o rapaz estar ali e depois estar com a imagem no papel, eu fiquei muito curioso e quis saber mais sobre isso. Fui me apaixonando por isso, para mim era uma arte aquilo ali.

ER – Como o senhor se especializou na sua área?

JC BRAGA – Aos 14 anos eu fui para o Rio de Janeiro e lá eu tive mais acesso a isso. Uma tecnologia mais avançada. Mas não que eu tivesse acesso a isso diretamente. A primeira câmera que eu tive lá em casa foi uma câmera chamada Xereta, uma camerazinha de filme 110. E com os contatos que eu fui adquirindo, conheci uma grande pessoa, amigo de minha irmã, um grande fotógrafo chamado Ramiro Neves. Ramiro Freitas era o nome artístico dele. Nessa época, surgiu um curso grátis de fotografia oferecido pela Rio Graphic Editora e ele me disse que tinha surgido uma oportunidade para mim, que era o curso. Você enviava e recebia os fascículos pelo correio, e durante o curso comecei a trabalhar com ele como ajudante. Era foto-seller, fazia a segunda luz nos eventos – casamentos, aniversários etc. E ele ia me ajudando, me tirando dúvidas. Me formei com 17 anos. Fiz o curso, as provas e passei. E daí fui avançando, começando a profissão como fotógrafo mesmo. Mas sem o conhecimento técnico, só o conhecimento teórico mesmo. Mas, além disso, sou laboratorista, cinegrafista e tenho formação também em eletricidade, sou eletricista predial.

ER – O que o tornou um profissional em sua área?

JC BRAGA – Primeiro, a paixão pela arte. Pela fotografia. Saber que algo refletido se transforma em uma imagem e eu trouxe isso dentro de mim. Procuro sempre aprender, sempre crescer em conhecimento teórico e técnico. Minha experiência como fotógrafo social, fotojornalismo, produzi muitos trabalhos. Produzir álbuns, por exemplo, era normal na época fazer isso.

ER – Por que trabalhar com mídia e comunicação?

JC BRAGA – Hoje trabalhar na mídia, é algo que me fascina. Trabalhei como fotógrafo no Rio, São Paulo, Ceará. A minha área precisa de uma boa dedicação e um bom investimento. Por isso, tive empregos paralelos também. Trabalhei em restaurantes enquanto fotógrafo, e isso me ajudou a comprar muitos equipamentos. Equipamentos que precisam ser atualizados com o tempo. Isso já me trazia uma ideia de estar nesse meio da mídia. Em São Paulo, trabalhei para um cidadão que era candidato a deputado federal e eu fazia serviços jornalísticos pra ele filmando a periferia, os problemas nas ruas, o abandono nos bairros em geral e fui entrando na área jornalística em audiovisual, não só visual. Trabalhei um ano e meio para ele, mas paralelamente com o restaurante. Voltei pro Ceará e não larguei mais a profissão, me dediquei inteiramente a ela.

ER – Já quis desistir do jornalismo alguma vez?

JC BRAGA – Já. Mas eu acho que a vontade e o amor pela profissão não deixaram. Eu insisti e persisti.

ER – Por onde já passou na profissão?

JC BRAGA – Trabalhei com eventos sociais, fotografia e filmagem também em produtoras privadas daqui de Sobral. Filmei muito evento, casamento, festa. Houve uma oportunidade, eu morava em Groaíras. Em 98 vim para Sobral, porque eu prestava serviço para uma produtora e o dono dessa produtora disse que era pra eu vir pra Sobral, morar aqui. Eu tinha medo de vir, na minha cidade a casa era minha, não pagava aluguel, despesa mínima e ganhava bem. O que entrava era lucro. Mas ele me garantiu que não me deixaria passar nenhuma necessidade. Eu vim e desde que cheguei aqui não parei de trabalhar mais. Em setembro cheguei aqui, e em dezembro surgiu uma oportunidade na TV Jangadeiro. Uma amiga me informou e disse que a vaga era pra Sobral. Eu fiz, corri o risco. Liguei pra rádio, peguei o contato, passei na entrevista depois de 10 pessoas na minha frente. Eles já tinham uma pessoa escolhida, já em Fortaleza. Mas depois da entrevista o cara que me entrevistou disse que eles já tinham escolhido uma pessoa, mas depois de me conhecer ele precisava agora ligar para Fortaleza e avisar que tinham mudado de ideia, que tinham escolhido outra pessoa. Eu. Fiquei de 99 a 2002 na Jangadeiro. Fui trabalhar numa produtora, gravando comercial e documentário. Não lembro bem o tempo, mas um bom tempo. Foi lançada uma TV Web, da rádio Caiçara. Fui chamado
para trabalhar lá, só me deram uma camerazinha e eu levantei a TV toda. Em pouco tempo, tudo montado. Programas sociais, policiais. Eu era cinegrafista, diretor. Fiquei um ano. Fui direto pra TV Diário fazer programa policial, social e político. Fiquei até 2012. Aí, entrei no Uninta no mesmo ano, gravando vídeo aulas no EAD e estou até hoje. Até agora.

ER – Alguma história boa ou experiência marcante em todos esses anos na profissão?

JC BRAGA – No meu tempo na Jangadeiro, eu vinha descendo a rua onde tem um bar que fica uns jogos lá tipo sinuca, baralho, vive cheio de gente lá. E quando eu estava passando a TV estava ligada lá, no programa que eu trabalhava, no Barra Pesada. A gente tinha uma matéria, mas não sabia se a matéria já tinha saído. Aí eu parei, fiquei na calçada assistindo de longe. Entrou nossa matéria sobre Sobral. E eu comecei a ouvir o pessoal comentando sobre. Elogiando, dizendo que estava bem feito, que tinha gente na cidade que fazia bons trabalhos como aquele e eu me senti muito bem ouvindo aquilo. Senti meu valor profissional e meu lado atuante dentro da cidade. Eu levava informação para muitas pessoas. E quem estava assistindo não sabia que quem tinha feito aquilo ali estava bem do lado dele. Eu me senti muito bem com isso.

 

Disciplina: Reportagem, Entrevista e Pesquisa Jornalística, 2019.1.
Aluno: Eduan Rodrigues
Professora: Ana Karla Dubiela